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A Memória como Via de Mão Dupla: Violências do Cotidiano em Wit: Jornada de Um Poema, de Margaret Edson

DOI: http://dx.doi.org/10.18305/1679-5520/scripta.uniandrade.n3p65-92

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Charlott E. Leviski1

  

Resumo: O presente artigo discute a questão da violência do cotidiano em Wit: Jornada de um Poema da dramaturga estadunidense Margaret Edson. Nesta peça, a autora emprega técnicas experimentais que traduzem os mecanismos da memória em recursos de construção textual, explorando uma vasta gama de estratégias dramáticas que estão sendo desenvolvidas por diversos autores com base em estudos interdisciplinares. A estrutura não-linear da peça imita os processos de associação da mente: trata-se da adaptação para o palco da técnica do fluxo da consciência que corresponde ao estágio da fala, cujo intuito é refletir a subjetividade da percepção individual. Além disso, o trabalho também analisa as múltiplas relações intertextuais que são parte integrante do processo de construtividade da peça. O texto é enriquecido com referências a Shakespeare, Andrew Marvell e em especial John Donne, cujo soneto Morte não sejas orgulhosa é revisitado pela protagonista nos últimos momentos de sua vida. Através da história de Vivian, Edson mostra os maus tratos sofridos por pacientes com câncer terminal nos hospitais, uma verdadeira agressão à dignidade humana. No que diz respeito ao setor da saúde, sua denúncia está provocando diversas mudanças, não só nos EUA, mas também em outros países, inclusive no Brasil.

Palavras-chave: Dramaturgia da memória. Violência. Dignidade. Intertextualidade. Morte.

 

Abstract: This paper discusses the issue of everyday violence in Wit, written by Margaret Edson. In this play, the American playwright experiments with techniques which translate the mechanisms of memory into art expression, exploring a vast repertoire of dramatic resources that are being developed by several authors as the result of an interdisciplinary approach. The non-linear structure of the play imitates the associative processes of the mind: we can say it is the adaptation for the stage of the stream-of-consciousness phenomenon which corresponds to the speech level, which aims at reflecting the subjectivity of individual perception. Moreover, the paper also analyzes the multiple intertextual references which constitute an integral part of the play. The text is enriched with references to Shakespeare, Andrew Marvell and mainly John Donne, whose sonnet  Death be not proud is revisited by the protagonist during the last moments of her life. Through Vivians story, Edson shows the inhuman treatment terminal cancer patients receive in hospitals, considered an aggression against human dignity. Her denunciation has operated a number of changes concerning hospital care, not only in the USA, but also in other countries including Brazil.

Key words: Memory-play. Violence. Dignity. Intertextuality. Death.

 

1 charlott18@hotmail.com Acadêmica do 3º Ano do Curso de Letras da UNIANDRADE. Orientadora: Prof. Dr. Anna Stegh Camati.

 

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