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Monólogo a Diversas Vozes: A Última Gravação de Krapp, de Samuel Beckett

DOI: http://dx.doi.org/10.18305/1679-5520/scripta.uniandrade.n5p225-234

http://www.uniandrade.br/revista-scripta-uniandrade.php 

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Gabriela C. Herrera1

  

Resumo: Sabe-se que Beckett explorou os limites do discurso e das possibilidades dramáticas e que sua influência sobre a dramaturgia contemporânea é incontestável. A última gravação de Krapp, apesar de escrito em 1959, pode ser considerado um experimento pós-dramático, uma vez que neste texto Beckett destrói a estrutura da narrativa dramática tradicional e inicia um processo de desconstrução do sujeito cartesiano. Retrata o hábito de um velho chamado Krapp, que sempre no dia de seu aniversário grava as experiências que marcaram aquele ano, ao mesmo tempo em que se empenha em um processo de escuta de sua própria voz gravada em anos anteriores. No entanto, a fala e a escuta ocorrem em diferentes temporalidades: o Krapp que grava as palavras que serão escutadas no futuro, não se reconhece naquele cuja voz emana do gravador. O objetivo deste trabalho é discutir a contemporaneidade de Beckett, utilizando como embasamento os postulados teóricos de Lehmann, Sarrazac e Pavis, e o ensaio de Beckett intitulado Proust, no qual o dramaturgo reflete sobre os conceitos de memória, hábito, tempo e identidade.

Palavras-chave: Samuel Beckett. Experimentalismo. Tempo.  Memória. Identidade.

 

Abstract: Beckett’s explorations of the limits of discourse and dramatic possibilities have been widely acknowledged as a pervasive influence on contemporary drama. Although Krapp’s Last Tape was written in 1959 , it can be considered a post-dramatic experiment, because in this text Beckett destroys the traditional dramatic narrative structure and initiates a process of deconstruction of the Cartesian subject. He portrays the routine of an old man called Krapp who, every year, on his birthday, records the most important experiences of the year on tape and, at the same time, to indulges in a process of listening to his own voice recorded on previous anniversaries. However, speaking and listening are placed in different temporalities: the persona, who records the words that shall be the object of listening in future, does not recognize as being his own the voice that emanates from the tapeplayer. The main objective of this essay is to discuss Beckett’s legacy for contemporary drama in the light of the theoretical perspectives of contemporary theatre critics such as Lehmann, Sarrazac and Pavis, as well as Beckett’s essay entitled Proust, in which the Irish dramatist reflects on the concepts of memory, habit, time and identity.

Key words: Samuel Beckett. Experimentalism. Time. Memory. Identity.

 

1 herrera_gabi@yahoo.com.br Mestranda em Teoria Literária pela UNIANDRADE

 

Literatura Citada

BECKETT, Samuel. Krapp’s Last Tape & Embers. London: Faber & Faber, 1959.

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