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Experiências e Movimentos de Subjetivação no Percurso de Formação: Identidades, Sentimentos e Histórias

DOI: http://dx.doi.org/10.18788/2237-1451/rle.v5n10p6-19

http://periodicos.ufpb.br/ojs/index.php/rle 

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Maria T. D. de Moraes1

 

Resumo: Esse trabalho parte de leituras de alguns autores, principalmente Jorge Larrosa, e de pesquisa, em andamento, junto a professores universitários. Traduz também o lugar de minha fala: o do amor pelas palavras e pela lentidão. Manoel de Barros assume que ama as palavras e se coloca como um apanhador de desperdícios, afirma que 'não gosta de palavras fatigadas de informar' e diz: 'prezo a velocidade das tartarugas mais do que a dos mísseis'. Essas palavras do poeta me instigaram a formular notas introdutórias para tocar nas inquietações do mundo contemporâneo e nas nossas experiências. Experiência no caminho de Larrosa quando a toma como algo que nos acontece e o sentido que elaboramos para esse algo que nos acontece. O que estamos fazendo com o que estão fazendo de nós? Existe uma inquietação em relação aos sentidos da formação nestes tempos contemporâneos. Esta inquietação parece ressoar em diversas experiências de professores e tornam-se comuns os relatos de um certo estranhamento em relação às perspectivas e possibilidades do que é ser professor, do que é ensinar e do que é formar. O percurso teórico-metodológico dessa pesquisa instiga, por meio da narrativa oral dos professores do Centro de Educação/UFPE, um exercício de pensamento sobre as muitas maneiras de dizermos como nos tornamos o que somos redimensionando a perspectiva de desconstruir as histórias únicas. Tal abordagem reafirma o entendimento de que o narrador ao narrar-se (re)constitui seu mundo construindo possibilidades de deslocamentos que tenta reinaugurar a própria vida como uma obra de arte inacabada. Dessa maneira, a narrativa parece salvaguardar os modos de se constituir humano e 'talvez não sejamos outra coisa do que uma maneira de contarmos o que somos'.  Para aplacar a inquietude das experiências dissonantes, de 'fragmentos descosidos de histórias' partindo de vestígios, do que disseram para nós e sobre nós, dispomos de uma trama que procura dar sentido à nossa própria existência. Na contemporaneidade, existe um novo espaço construído para as biografias, autobiografias, memórias, diários íntimos, correspondências, testemunhos, histórias de vida junto com um enorme volume de registros pessoais. Essa ênfase biográfica e excessos de visibilidades da cultura contemporânea podem ser vistos como uma tentativa de uma reconfiguração identitária de nosso tempo. No redemoinho dessas formas de narrar/ser no mundo, entre o desespero de sentir as mudanças e ainda, muitas vezes, não saber nomeá-las, estão as nossas experiências de formação. Há de se notar o momento significativo no cenário das pesquisas que retomam dimensões ligadas aos movimentos de subjetivação e às perspectivas que aproximam histórias pessoais e processos formadores traduzindo-se em objetos compartilhados. É ao mesmo tempo possível construir um percurso de aproximação com um caminho de pesquisa que indica o diálogo da experiência com o tempo presente e o sentimento como focos de olhar. A possibilidade de abertura para narrativas sobre a experiência e o sentimento de ser professor nos faz querer contar e pensar nas histórias como movimento de refazê-las, reconstruindo-as e tecendo-as ao modo de um palimpsesto.

Palavras-chave: experiência; formação; narrativas.

 

Abstract: This paper presents readings of some authors, especially Jorge Larrosa, and research in progress, along with academics. Reflects also the place of my talk: the love of words and the slowness. Manoel de Barros assumes that loves words and arises as a waste picker, says 'not like tired words to inform' and says: 'I value the speed of turtles more than the missiles'. These words of the poet moved me to formulate introductory notes to play on the concerns of the contemporary world and our experiences. Experience the way Larrosa takes when something like that happens to us and the direction we prepared for that something that happens to us. What are we doing with what we are doing? There is a restlessness in relation to the senses of training in these contemporary times. This restlessness seems to resonate on various experiences of teachers and become common reports of a certain strangeness about the prospects and possibilities of being a teacher, who is teaching and who is graduating. The theoretical and methodological approach of this research instigates, through oral narrative Teachers Education Center / UFPe an exercise in thinking about the many ways of saying how we became what we are resizing the perspective of deconstructing the only stories. This approach reaffirms the understanding that the narrator to narrate (re) constitute her world building possibilities of displacements that tries to reopen his own life as an unfinished work of art. Thus, the narrative seems to safeguard the ways of building human and 'we may not be anything other than a way to tell them what we are.' To appease the restlessness of dissonant experiences, 'descosidos fragments of stories' leaving the remnants of what they said to us and about us, we have a plot that seeks to give meaning to our existence. In contemporary times, there is a new space built for the biographies, autobiographies, memoirs, diaries, letters, testimonies, life histories, along with a huge amount of personal records. This biographical emphasis and visibility of the excesses of contemporary culture can be viewed as an attempt at identity reconfiguration of our time. In the swirl of these forms of narrating / being in the world, between despair and feel the changes still often do not know name them, are our experiences of training. One has to note the significant moment in the scenario of research which incorporated dimensions related to the movements of subjectivity and perspectives that bring personal stories and forming processes translating into shared objects. It is both possible to build a route of approach with a search path that indicates the experience of dialogue with the present time and feeling as focuses of attention. The possibility of opening for narratives about the experience and the feeling of being a teacher makes us want to tell stories and think of the movement as redo them, rebuilding them and weaving them the manner of a palimpsest.

Key words: experience; training; narratives.

 

1 Universidade Federal de Pernambuco

 

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