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Um País “Em Marcha”: Pensamento e Prática Artística no Brasil Oitocentista

DOI: http://dx.doi.org/10.15600/2236-9767/impulso.v25n64p107-124

https://www.metodista.br/revistas/revistas-unimep/index.php/impulso/index 

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Valéria A. E. Lima1

 

Resumo: Entre as diversas imagens associadas ao Brasil, ao longo do século XIX, estava a de um território “em marcha para o progresso”, tal como entendida no contexto de exportação dos modelos de civilização europeus para as recém-instituídas nações do continente americano. Progredir era, naquela conjuntura, alinhar-se aos inquestionáveis avanços da experiente Europa, tarefa que se mostrou cada vez mais complexa, à medida que as realidades locais se apresentavam como organismos vivos, sujeitando as propostas de uma “marcha universal” às idiossincrasias locais. A condição de um país “em marcha” permeia várias das formulações identitárias de Brasil elaboradas no decorrer da centúria. Este texto visa investigar discursos, em diferentes formatos (textuais e iconográficos), elaborados por Jean-Baptiste Debret (1768-1848) e Manuel de Araújo Porto-alegre (1806-1879), onde o pensamento e a prática das artes visuais funcionam como formas de entendimento e/ou formulação de identidades para o Brasil e para os brasileiros, marcadas por essa ideia. Será privilegiado o período entre 1834, momento da publicação do primeiro volume da obra de Debret, Voyage Pittoresque et Historique au Brésil, e da leitura do texto État des beaux arts au Brésil por Araújo Porto- -alegre no Institut Historique de Paris, e 1857, data do desligamento de Porto-alegre da Academia Imperial de Belas Artes.

Palavras-chave: Brasil Império; artes visuais; identidade nacional; Jean-Baptiste Debret (1768-1848); Manuel de Araújo Porto-alegre (1806-1879).

 

Abstract: Among the images associated to Brazil throughout the nineteenth century was that of a territory “in motion” towards progress, as it was understood in the context when European civilisation models were exported to the newly independent American nations on a large scale. To make progress was, at that time, to accept the European models and ideas. Such a task showed itself increasingly complex, once local realities presented themselves as living organisms, subjecting the proposals for a “universal motion” to local idiosyncrasies. The condition of a country “in motion” was recovered by several formulations of Brazilian identity drawn up in the course of that century. This paper aims to investigate discourses, in different formats (textual and iconographic), elaborated by Jean-Baptiste Debret (1768-1848) and Manuel de Araújo Porto-alegre (1806-1879), where the thought about arts and artistic practice used to work as ways of understanding and/or formulating identities to Brazil and Brazilians, marked by this idea. The analyses aims the period between 1834, the time of both the publication of the first volume of the work of Debret, Voyage pittoresque et Historique au Brésil, and the reading of Etat des Beaux Arts au Brésil, a paper by Araújo Porto-alegre, in Institut Historique of Paris, and 1857, when Porto-alegre definitively left the Imperial Academy of Fine Arts.

Key words:  Brazilian Empire; visual arts; national identity; Jean-Baptiste Debret (1768-1848); Manuel de Araújo Porto-alegre (1806-1879).

 

1 Curso de História – UNIMEP valeria-esteves@uol.com.br

 

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