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Política Religiosa e Religião Política: Os Evangélicos e o Uso Político do Sexo

DOI: http://dx.doi.org/10.15603/2176-1078/er.v27n1p177-201

https://www.metodista.br/revistas/revistas-ims/index.php/ER/index 

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Sandra D. Souza1

 

Resumo: A presença evangélica no cenário político brasileiro começou a se intensificar só nas últimas décadas, a partir dos anos 1980, durante o processo constituinte. Os motivos para esse despertar tardio, ou para essa visibilidade mais recente, são políticos, econômicos e religiosos. Apesar de recente, a participação mais visível e mais agressiva dos evangélicos no mundo da política tem gerado um amplo debate na sociedade brasileira e colocado novos (ou antigos?) questionamentos à laicidade do Estado. Os evangélicos têm-se inserido, cada vez mais, no campo político, conquistando uma crescente representação nos poderes públicos, participando efetivamente da definição da agenda política em todos os níveis. Sua atuação na política partidária brasileira é marcada por forte corporativismo e as posturas de seus representantes são predominantemente conservadoras e tradicionalistas. Sem dúvida, não se pode correr o risco de entender os parlamentares evangélicos como um grupo coeso, como parte de um movimento uniforme com atuação política uniforme. Porém, no que tange aos temas mais diretamente ligados à sexualidade, pode-se verificar uma maior propensão ao conservadorismo moral, sendo essa também a tendência de parte do eleitorado. Em nossa apresentação vamos nos debruçar especialmente sobre o posicionamento de políticos evangélicos quanto aos temas dos direitos reprodutivos e da homoafetividade, objetivando entender as tensões entre a afirmação política de uma moral sexual religiosa e a proposição de um Estado laico, voltado para os interesses de seus cidadãos e cidadãs a despeito de sua confissão religiosa.

Palavras-chave: religião, política, aborto, homossexualidade

 

Abstract: The evangelicals’ presence in the Brazilian political scenario increased in the eighties, during the constitutional movement. There are political, economic, and religious reasons for this late awakening, or for this recent visibility. Although recent, their more visible and aggressive participation in the political world has generated considerable debate in Brazilian society and placed new (or old?) questions to the secular State. Evangelicals have increasingly joined the political field, reaching a growing representation in government and effectively participating in the definition of the political agenda at all levels. Their performance in Brazilian party politics is marked by strong corporatism, and their political stances are predominantly conservative and traditionalist. Undoubtedly, one cannot run the risk of understanding the evangelical congressmen as a cohesive group, with a uniform movement and equal political actions. However, when it comes to issues more directly related to sexuality, there is a noticeable inclination to moral conservatism, and this is also the electorate’s tendency. In this paper we will dwell particularly on the political stance of evangelicals regarding issues of reproductive rights and homosexuality, seeking to understand the tension between the political affirmation of a religious sexual morality and the proposition of a secular State, focused on the interests of its citizens regardless of their religious affiliation.

Key words: religion, politics, abortion, homosexuality 

 

1 Doutora em Ciências da Religião, professora do Programa de Pós-Graduação em Ciências da Religião da Universidade Metodista de São Paulo, coordenadora do Grupo de Estudos de Gênero e Religião Mandrágora/Netmal. sanduarte@uol.com.br