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Classe Social na Creche

DOI: http://dx.doi.org/10.15603/2176-1043/el.v15n26p35-64

https://www.metodista.br/revistas/revistas-ims/index.php/EL/index 

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Ana C. M. Câmara1 & Ana M. F. Almeida2

 

Resumo: Para boa parte da sociologia contemporânea, a criança é um agente social ativamente engajado na produção, apropriação e reprodução da cultura. Pouco, no entanto, se diz sobre a maneira como as crianças participam da reprodução de classe. Apoiando-se na observação da rotina das turmas de dois a três anos em uma creche pública e outra privada, que atendem a famílias de grupos sociais diferentes, as autoras mostram como as crianças contribuem ativamente para modelar as experiências educativas a que são expostas. As crianças oriundas de famílias dos grupos populares, menos escolarizados, exibem maior autonomia, autossuficiência e independência em relação aos adultos, enquanto as crianças de famílias de classe média alta, mais escolarizadas, desobedecem e demandam mais. Como resultado, estas últimas recebem mais atenção dos adultos. Isso contribui para uma diferenciação significativa do trabalho pedagógico nos dois espaços, adicionando uma nova dimensão às diferenças de contexto institucional, apesar da semelhança que estes apresentam em outros aspectos (salários de professoras e monitoras, espaço físico, orientação pedagógica). Esses resultados revelam, assim, uma das dimensões dos complexos processos pelos quais se produz a desigualdade de classe na educação.

Palavras-chave: Classe social, crianças, creche, capital cultural, reprodução social.

 

Abstract: For much of contemporary sociology, the child is a social agent actively engaged in the production, appropriation and reproduction of culture. However, little is said about the way in which children participate in class reproduction. Relying on the observation of the routine of classes of two and three year-olds in a public and a private day care center, serving families from different social groups, the educational experience to which they are exposed. Children from low income and less educated families exhibit greater autonomy, self-sufficiency and independence from adults, while children from middle upper class and more educated families are more demanding and disobedient. As a result, the latter receive more attention from adults. This contributes to a significant differentiation in the pedagogical work in both spaces, adding a new dimension to the institutional differences despite the similarity they have in other respects (the wages of teachers and monitors, physical space, mentoring). These results show one of the dimensions by which class inequality is produced in education.

Key words: Social class, children, day care centers, cultural capital, social reproduction.

 

1 Professora da Rede Municipal de Santos, pesquisadora associada ao Focus/Unicamp (Grupo de Pesquisa sobre Instituição Escolar e Organizações Familiares).
2 Professora Livre Docente da Faculdade de Educação da Universidade Estadual de Campinas, co-coordenadora do Focus/Unicamp (Grupo de Estudos sobre Instituição Escolar e Organizações Familiares). Email: aalmeida@ unicamp.br

 

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