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Corpo-Afeto, Corpo-Violência: Experiências na Prostituição de Estrada na Paraíba

DOI: http://dx.doi.org/10.15668/1807-8214/artemis.v18n1p69-86

http://periodicos.ufpb.br/ojs/index.php/artemis 

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Silvana de S. Nascimento1

 

Resumo: Este texto é um ensaio etnográfico que busca apresentar uma reflexão incompleta sobre experiências na prostituição, cujas agentes são mulheres e travestis, a partir de pesquisas antropológicas realizadas no Litoral Norte da Paraíba. Na tentativa de deslocar o foco sobre o mercado do sexo, prostituição e outras formas de sexo pago em grandes capitais, nacionais e internacionais, pretendo compreender, numa região formada por cidades de pequena escala e municípios rurais e indígenas como trocas sexuais que envolvem dinheiro e outros bens potencializam redes de relações que se fazem e desfazem em agressões e afetos e mobilizam suas agentes em itinerários e trânsitos entre diferentes espaços, na maioria das vezes, localizados nas bordas das regiões metropolitanas. Do corpo desfeito pelas experiências de violência, e refeito pelas de afeto e cuidado de si, mulheres e travestis que se prostituem, neste contexto etnográfico, apresentam um modo de vida que só é possível num território intersticial, entre o interior e a capital, entre o sertão e o litoral, que descentraliza o lugar da prostituição e a desloca para um cenário mais amplo, de potencialidades de corpos, pessoas, relações e objetos.

Palavras-chave: Etnografia. Sexo. Prostituição. Cidades. Fronteira. Paraíba

 

Abstract: From anthropological research performed in the North Coast of Paraiba, this paper present an ethnographic essay to discuss experiences in feminine and travestite prostitution. In an attempt to shift the focus on the sex trade, prostitution and other forms of paid sex in large cities, I intend to understand, in a rural region formed by little towns, how sexual exchanges involving money and other properties potentiate relations that make and break in aggressions and affects and mobilize their agents on itineraries and movement between different spaces, mostly located on the edges of metropolitan areas. In this context, the body has done and undone of violence and affect experiences, and women and travestite prositutes present a way of life that is possible only in interstitial territory, between the interior and the capital, between the interior and the coast, decentralizing the place of prostitution to a wider scenario of bodies, people, relations and objects.

Key words: Ethnography. Sex. Prostitution. Cities. Borders. Paraíba

 

1 Professora do Departamento de Antropologia da Universidade de São Paulo e pesquisadora do Laboratório do Núcleo de Antropologia Urbana (NAU) da USP. É pesquisadora colaboradora, além de fundadora, do Grupo de Pesquisa em Etnografias Urbanas (Guetu) da Universidade Federal da Paraíba (UFPB). E-mail: simples.humano@gmail.com.

 

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