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Relações de Produção e Qualificação Profissional: Problematizações Acerca da “Sociedade do Conhecimento”

DOI: http://dx.doi.org/10.15600/2238-121X/comunicacoes.v17n2p33-49

https://www.metodista.br/revistas/revistas-unimep/index.php/comunicacao 

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Thomás A. B. Meira1 & Vera L. G. C. Rodrigues2

 

Resumo: Nas últimas quatro décadas, o modo de produção capitalista passa por um processo de reestruturação de sua base produtiva, a que alguns autores designam de modelo de acumulação flexível. Em oposição ao paradigma taylorista-fordista de organização do trabalho, esse novo momento, por sua própria flexibilidade, requer profissionais competitivos e que busquem constantemente por novas qualificações. Por esse fato, mas também pela necessidade de manipulação das Tecnologias de Informação e Comunicação nesse processo, tornaram-se comuns os discursos em torno da “sociedade do conhecimento”. Dadas essas considerações, o presente trabalho, de cunho exclusivamente teórico, pretende interpor algumas indagações, ainda que provisórias, no que se refere às relações existentes entre as demandas do modelo flexível de acumulação do capital e o caráter do saber que se tem exigido por parte de seus profissionais. A hipótese defendida é a de que, a exemplo de outros momentos históricos, atualmente, a contínua racionalização dos processos produtivos tende a ser acompanhada pela limitação, cada vez maior, de um saber sócio-político- -econômico – construído nas relações de produção –, antes, em boa medida, de posse dos trabalhadores. Dessa forma, o artigo aponta para o fato de que as bases para a “sociedade do conhecimento” se desvelam como potencialmente ideológicas e falaciosas.

Palavras-chave: Qualificação Profissional; Sociedade do Conhecimento; Automação Flexível

 

Abstract: In the last four decades, the capitalist mode of production has undergone a restructuring process of its production base, which some authors refer to as the model of flexible accumulation. In contrast to the Taylorist-Fordist work organization, this new moment, due to its flexibility, requires skilled and competitive professionals that constantly seek new skills. For that reason, but also for the need to use Information and Communication Technologies in this process, discourses on the “knowledge society” have become common. Given these considerations, the present theoretical work aims at posing some questions, however temporary, regarding the existing relations between the demands of the flexible model of capital accumulation and the nature of knowledge required from professionals. The advocated hypothesis is that, like other historical moments, the ongoing rationalization of production processes now tends to be accompanied by the growing limitation of a socio-political and economic knowledge – built in the production relations – previously in possession of employees. Therefore, this article points to the fact that the basis for the “knowledge society” is unveiled as potentially ideological and misleading.

Key words: Professional qualificat ion; knowledge society; flexible automat ion

 

1 Professor Assistente no Departamento de Ciências Sociais da Universidade Estadual de Maringá (UEM) tbmeira@yahoo.com.br
2 Professora da Faculdade Metropolitana de Maringá (UNIFAMMA) veraluciarodrigues@yahoo.com.br

 

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