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Performance, Corpo e Identidade: A Imersão Religiosa no Vale do Amanhecer

DOI: http://dx.doi.org/10.15603/2176-1078/er.v25n41p113-131

https://www.metodista.br/revistas/revistas-ims/index.php/ER/index 

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Amurabi Oliveira1

 

Resumo: Nosso trabalho diz respeito a um movimento místico esotérico denominado Vale do Amanhecer. Tal movimento foi fundado por “Tia Neiva”, congregando elementos do catolicismo, espiritismo, das religiões afro-brasileiras e da Nova Era, concentrando-se em Brasília até os anos 80 e disseminando-se pelo Brasil. Nosso material de campo provém de pesquisa etnográfica realizada fundamentalmente em templos fora de Brasília, nas cidades de Recife, Olinda, São Lourenço da Mata e Maceió. Neste movimento, o processo iniciático pressupõe um longo aprendizado, não apenas no plano linguístico e visual como também corporal. Neste sentido, a identidade dos sujeitos envolvidos passa por uma experiência essencialmente corpórea e emocional, por um intenso processo de aprendizagem e experimentação. Ao inserirmos tal movimento teoricamente na perspectiva da Nova Era, nos contrapomos a alguns autores como Magnani (1999, 2000), Amaral (1999, 2000, 2003), que colocam que na Nova Era mais irá importar a pluralidade de experiências que suas profundidades, uma vez que a aprendizagem corporal que demanda o Vale do Amanhecer, em especial para aqueles adeptos que se denominam “aparás”, no caso os responsáveis pela incorporação mediúnica, pressupõe uma imersão profunda. Vamos nos deter neste momento sobre a mediunidade do apará, analisando como sua identidade religiosa se configura a partir da experiência corpórea, em especial por intermédio da performance que situa o sujeito no espaço social. Vamos nos apoiar teoricamente nos escritos de Bourdieu para pensar tal engrenagem.

Palavras-chave: Vale do Amanhecer; Nova Era; Corpo; Performance.

 

Abstract: Our work relates to an esoteric mystical movement called Vale do Amanhecer. This movement was founded by “Tia Neiva”, bringing together elements of Catholicism, spiritism, the African-Brazilian religions and New Age, focusing in Brasilia until 80 and spreading throughout Brazil. Our field material comes from ethnographic research conducted mainly in temples outside of Brasilia, in Recife, Olinda, São Lourenço da Mata and Maceió. In this movement the initiation process requires a long apprenticeship, not only on the linguistic and visual as well as body. In this sense the identity of those involved goes through a bodily and emotional experience primarily through an intense process of learning and experimentation. By inserting such a move theoretically in a New Age perspective, we compare us to some authors as Magnani (1999, 2000), Amaral (1999, 2000, 2003), which put it in the New Age will import more of the plurality of experiences that its depths, since learning that requires the body Vale do Amanhecer, especially for those fans who call themselves “chips” in case those responsible for the incorporation psychic, requires a deep immersion. We currently hold about mediumship of trim, analyzing how their religious identity is shaped from the bodily experience, in particular through the performance that situates the subject in social space. We will rely on the theoretical writings of Bourdieu to think such gear.

Key words: Vale do Amanhecer, New Age; Body, Performance

 

1  Licenciado e Mestre em Ciências Sociais (UFCG), Doutor em Sociologia (UFPE), professor de antropologia da Universidade Federal de Alagoas.  E-mail: amurabi_cs@hotmail.com

 

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