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Organizações Não Governamentais: Espaços de Imbricação de "Políticas de Piedade" e "Políticas de Justiça"?

DOI: http://dx.doi.org/10.15603/1982-8756/roc.v2n3p161-181

https://www.metodista.br/revistas/revistas-ims/index.php/OC/index 

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Maria L. Sampaio1

 

Resumo: Não fazendo incidir a nossa reflexão sobre um certo tipo de voluntariado cuja perspectiva é mais planetária e cujas acções visam o reforço de outros movimentos congéneres de alcance internacional defendendo causas mais universais, neste pequeno estudo iniciaremos tão só uma abordagem das diferentes formas do trabalho que o Terceiro Sector em Portugal tem vindo a adquirir e que a nosso ver ultrapassam o altruísmo humanitário e aquilo a que Scheler chamou de piedade (SCHELER, 1967). Porque, se o espectáculo do sofrimento (ARENDT, 1967) daqueles que sofrem à distância (Boltanski, 1993), pode estimular uma prática de piedade por parte daqueles que observam esse sofrimento, mas não o vivenciam, que dizer das razões que levam à integração formal em organizações que se dedicam a outro tipo de actividades ainda que voluntárias? Haverá uma motivação transversal a todas as ONGs, desde aquelas que se aplicam na defesa do património arquitectónico, na defesa da cultura nacional ou local, na limpeza de praias e matas, em práticas voluntárias junto de animais, no apoio e/ou visita a doentes, a presos etc.? Inseridos num ritmo da mudança característico da modernidade (GIDDENS, 1992), em que o individualismo se constrói na reflexão crítica e se pretende livre (SINGLY, 2003), que regimes justificativos de acção (BOLTANSKI, 2001) subjazem à formação e/ou adesão a este tipo de organizações? Com base em que estratégias individuais se faz a passagem para um comprometimento colectivo?

Palavras-chave: modernidade; trabalho voluntário; individualismo; políticas de piedade; políticas de justiça

 

Abstract: We do not make our reflection on a certain volunteer work type with planetary perspective and the reinforcement of other movements of international reach, defending more universal causes, in this small study, we will only initiate a approach of different forms of work in the Third Sector in Portugal, new forms of volunteer organizations, that in our point-of-view, exceed the humanitarian altruism and what Scheler called “mercy” (SCHELER, 1967). Because, if “show of the suffering” (ARENDT, 1967) from who suffers at a distance (BOLTANSKI, 1993), can stimulate one practical mercy, on the part of observers, this suffering without living it, is deeply actual. So what to say of the reasons that lead to the formal integration in organizations that are dedicated to another type of work, as volunteers activities? This, may be, will have a transverse motivation to all the ONGs, as like, in the defense of the architectural patrimony, in the defense of the national or local culture, in the cleanness of beaches and bushes, in practical volunteers to help suffering animals, the support and/or visit the sick people, the prisoners etc.? Inserted in a rhythm of the characteristic change of modernity (GIDDENS, 1992), where the individualism is construct in the critical reflection, and has the pretension to be free (SINGLY, 2003), what justifies rules to share (BOLTANSKI, 2001) the formation and/or adhesion to this type of organizations? On what basis the individual strategies change to a collective compromise?

Key words: modernity; volunteer work; individualism; politics of mercy; politics of justice.

 

1 Doutoranda na área da Sociologia da Saúde pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas (FCSH), da Universidade Nova de Lisboa (UNL), membro fundador do Forum Sociológico – Centro de Estudos do Departamento de Sociologia da FCSH da UNL (leonorsampaio@hotmail.com)

 

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