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Políticas Públicas de Agricultura Familiar no Baixo Tocantins Paraense

DOI: http://dx.doi.org/10.17552/2358-7040/bag.n1v1p137-152

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Márcio J. B. Barros1

 

Resumo: O objetivo deste trabalho é verificar de que forma ocorre o uso do território rural pelas políticas públicas de agricultura familiar tendo como estudo de caso o território do Baixo Tocantins estado do Pará.O artigo divide-se em três momentos, além da introdução e das considerações finais. No primeiro momento caracterizase o território do Baixo Tocantins no estado do Pará. No segundo focalizamos os aspectos teóricos da teoria espacial de Milton Santos centrado na categoria de análise território usado e o uso do mesmo na ciência geográfica. No terceiro momento, analisamos os resultados parciais sobre o uso do território rural e o papel da agricultura familiar no Baixo Tocantins Paraense.O território do Baixo Tocantins Paraense é formado por 11 municípios (Abaetetuba, Acará, Baião, Barcarena, Cametá, igarapé Miri, Limoeiro do Aruju, Mocajuba, Moju, Oeiras do Pará, Tailândia), trata-se de uma região de colonização antiga que data do século XVII. Este território segundo o censo demográfico do IBGE (2010) tem uma população de 739.881 mil habitantes, dos quais 53% vivem na zona rural, em uma área de 36.025,7 km2. No que se refere aos aspectos econômicos este território apresenta uma economia pautada na agricultura e atividade florestal, com exceção do município de Barcarena que tem uma base industrial, sediando importantes plantas industriais como a Albrás e a Alunorte. O Baixo Tocantins é uma unidade territorial do estado do Pará. Não se trata de um território completamente homogêneo, pois existem diferenças de caráter físico e humano nos municípios que compõe este território. Este território apresenta uma estrutura agrária bastante perversa, o que acaba contribuindo para a concentração de terras e a não titularidade das mesmas pelos pequenos produtores rurais. Em nossa pesquisa a categoria de análise importante é o território usado onde seu uso constitui-se em um elemento fundante neste processo de investigação cientifica.

Palavras-chave: Uso do território, Baixo Tocantins, agricultura familiar.

 

Abstract: This work´s goal is to verify how the rural territory is being used by family farming public politics taking as a case report the Lower Tocantins territory, Pará. This paper is divided in three moments: First, the local characterization; then, the focus is the theoretical aspects of Milton Santos' spatial theory centered in the category of used territory analyzis and its use in geographic science; lastly, partial 1 Uma results analyzis about rural territory use and family farming role in the Lower Tocantins. This territory is formed by 11 municipalities (Abaetetuba, Acará, Baião, Barcarena, Cametá, Igarapé Miri, Limoeiro do Aruju, Mocajuba, Moju, Oieiras do Pará and Tailândia), an XVII century colonization region. According to 2010 IBGE census, this area population is of 739,881 inhabitants, of which 53% live in the countryside, in an area of 36,025.7 Km2. Regarding the economic aspects, this territory presents an agriculture and forestry based economy, with exception of Barcarena that has an industrial base hosting important industrial facilities as Albrás and Alunorte. The Lower Tocantins is a territorial unity of Pará state, which is not a completely homogeneous territory due to physical and human character differences in its municipalities. It also presents a poor agrarian structure that contributes to concentration of land ownership and to small producers' lands lacking registration. At this research an important analyzis category is the selected territory, where its use constitutes the main element in this scientific investigation process.

Key words: Territory use, Lower Tocantins, Agriculture, family farming.

 

1 Geógrafo. Doutorando em Geografia da Universidade de Brasília (UnB). Membro do grupo de pesquisa CNPq\UnB políticas públicas espaciais: os discursos dos atores. Professor da Universidade Federal do Oeste do Pará (UFOPA). email: marcio.barros.@ufopa.edu.br.

 

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