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Livro-Reportagem Maestro Chiquito: O Metalúrgico dos Sons

DOI: http://dx.doi.org/10.12702/978-85-67818-78-8

 

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Adeildo Vieira

 

Creio que o jornalista vê o mundo de maneira especial. De uma maneira que só ele – jornalista – pode ver e captar. Por isto mesmo, é preciso não esquecê-lo, quando quisermos compreender os fenômenos da realidade em seus compassos variados e em suas tonalidades específicas.

Se o historiador, o filósofo, o artista, o cientista social; se psicólogos, juristas, políticos e místicos apreendem o mundo com seus olhares parciais, resultados de seus condicionamentos cognitivos, o mesmo se dá com o jornalista. O seu olhar me parece único e ao mesmo tempo essencial como qualquer outro que se volte para a vida no escopo de investigá-la em suas camadas mais profundas.

Na mesa dos debates culturais e científicos, não deve faltar, portanto, a figura do jornalista. Acerca do fato, da coisa ou da persona, ele terá o que dizer e dirá, com certeza, de um modo todo seu. Dirá coisas, provavelmente, que nenhum outro especialista dirá, pois somente o jornalista é capaz de perceber a relevância de certos detalhes e de certos componentes contextuais, indispensáveis a uma interpretação mais plena dos acontecimentos. É aqui onde o jornalista é um escritor; onde o jornalismo se afina com a literatura.

Tais reflexões me ocorrem, acabada a leitura do livro-reportagem, “Maestro Chiquito: o metalúrgico dos sons”, de autoria de Adeildo Vieira, apresentado como produto final do Mestrado Profissional do Programa de Pós-Graduação em Jornalismo da UFPB.

Fruto de pesquisa científica associada à prática jornalística, o livro-reportagem de Adeildo Vieira traça um curioso perfil do Maestro Chiquito, rastreando suas origens familiares, o ambiente de formação social e psicológica, a paisagem telúrica e cultural de sua cidade (Santa Luzia), o processo de educação musical, as amizades, as realizações, enfim, toda uma trajetória pautada, pelo menos aqui, no enfoque do repórter, pela paixão da música.

“Como conceber o mundo sem a música?”, costumava indagar Arthur Rubinstein. Ora, tal findagação caberia muito bem na fala do Maestro Chiquito e também na voz de Adeildo Vieira. A música os aproxima, e este dado não pode ser desprezado na apreciação deste livro-reportagem.

É preciso somar ao acabamento da pauta e aos processos de captação da matéria jornalística, levados a cabo dentro dos dispositivos técnicos e acadêmicos, este elemento livre, colado mais à sensibilidade que a razão informativa, para termos uma compreensão melhor da narrativa que Adeildo Vieira elaborou.

Se o homem aparece marcado por suas circunstâncias e envolvido em todos os mecanismos de subjetivação que vão mapear um perfil humano, é o músico, é o operador de sons, é o arquiteto de ritmos, é o artesão de arranjos e harmonias que se sobressai no andamento dos capítulos e na sequência dos episódios de sua vida. Por outro lado, o repórter enquadra bem o contexto histórico e a esfera cultural onde este homem atuou e atua, enfatizando os legados que deixa para as novas gerações, a partir de suas práticas ao mesmo tempo criativas e pedagógicas.

O título já sinaliza para o elo musical que vincula narrador e personagem. Os subtítulos que demarcam os capítulos seguem a mesma lógica musical. Exemplos: “Começa a nascer o músico”, “A Banda de Nós”, “A mão e a Fênix”, “Nas bandas, por inteiro”, “A consciência da profissão”, “A Era Metalúrgica” e “Os primeiros passos da Metalúrgica”. Tudo como que a compor os andaimes, ou melhor, a partitura, de uma presença concreta e vivificadora no cenário musical da Paraíba.

Partindo da observação, da escuta, da convivência, do diálogo, do “diálogo possível”, na feliz expressão de Cremilda Medina, Adeildo Vieira monta o perfil de Maestro Chiquito, destacando, sobretudo, os fatores que fizeram dele, ao longo do tempo, o músico que é. Mas o músico entrelaçado com a complexidade e a riqueza da figura humana, naturalmente situada na dinâmica de um contexto que permite, ao leitor, deslocar-se do individual para o coletivo e do artista para a sociedade.

Sérgio Vilas-Boas assinala, em um de seus livros, que “Todo perfil é biográfico e autobiográfico”, porque quando se conta a história de alguém, em certo sentido também se conta a sua própria história. A escolha do personagem, a matriz do interesse e da motivação, a forma de organização do material, os recursos, as fontes, enfim, tudo que serve para pavimentar o caminho do encontro entre o sujeito e o objeto, serve também como espelho onde se vê refletida a imagem do autor.

Adeildo Vieira que vê, em Maestro Chiquito, “o metalúrgico dos sons”, é também protagonista desta metalurgia. Se o ensaio se materializa através de sua faceta jornalística, presidida por uma exigência acadêmica, o produto final ostenta ritmo e vigor no silêncio das parcerias. Mais que o saber oriundo dos mananciais teóricos e da prática que vai além da informação pela informação, seu livro-reportagem, no modelo perfil, perfil em profundidade, assenta suas bases no gesto admirativo, no calor da empatia e na “razão sensível” que deflagram o ato criador.

Por isto mesmo, a obra deve vir a público, para que as experiências do saber e do prazer possam ser compartilhadas, evitando-se, assim, o triste destino de muitos trabalhos acadêmicos, inteiramente abandonados nos arquivos mortos das bibliotecas e dos departamentos.

Hildeberto Barbosa Filho - Universidade Federal da Paraíba

  

Dados Catalográficos

Título: Livro-Reportagem Maestro Chiquito: O Metalúrgico dos Sons
Autor: Adeildo Vieira
Idioma: Português
Ano: 2016
Páginas: 211
ISSN: 978-85-67818-78-8
DOI: http://dx.doi.org/10.12702/978-85-67818-78-8