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Bicicleta(da) Enquanto Apropriação Espontânea e Vetor de Transformação da Cidade

DOI: http://dx.doi.org/10.12702/978-85-89478-40-3-a108

 

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Claudio O. da Silva, Fernanda R. Machado & Yuriê B. César

 

Resumo: O uso da bicicleta nas cidades brasileiras não é algo novo, seja para o lazer, esporte ou como meio de transporte. Sobre esse último significado o estímulo ao seu uso tem ganhado grande importância em meio ao crescente e assustador avanço do número de automóveis privados em circulação cotejado de todas as suas externalidades negativas como a poluição visual, sonora e do ar, aumento no número de acidentes de trânsito e degradação dos ambientes de convivência ao ar livre nas cidades. Nesse contexto, surge a bicicleta como vetor de transformação da cidade e da sociedade. Os benefícios de seu uso bicicleta têm sensibilizado cada vez mais pessoas a sair às ruas a partir do reconhecidamente que faz bem à saúde física e mental de quem usa e ao ambiente da cidade como um todo por reduzir a emissão de poluentes, não provocar engarrafamentos e acidentes. No entanto, pedalar nas cidades é um desafio. Faltam educação e políticas públicas continuadas que viabilizem o uso de outros meios de transporte como o à pé e o transporte público coletivo. Ademais, ocorre nas ruas uma verdadeira iniquidade do uso do espaço tornando cada vez mais necessário um esforço de redivisão e retomada delas pelas pessoas. Seu espaço constitui um bem público e, como tal, deveria ser usufruído por todos sem distinção da forma como se locomovem. Felizmente, no campo do urbanismo e das práticas sociais, tem ganhado relevância os processos de ocupação temporária e ressignificação do espaço público, com a característica comum de refletir a vida real e os desejos individuais ou comunitários autogerindo suas aparições e desaparições. A Bicicletada, também conhecida como Massa Crítica, enquadra-se nesse contexto. Trata-se de encontros mensais realizados em espaços públicos reunindo principalmente usuários da bicicleta que saem às ruas também para reivindicar a redivisão do espaço viário. Pautados em princípios geradores do anarquismo, a autogestão, ação direta, autonomia e internacionalização favorecem um ambiente fértil para o aprendizado coletivo, tendo a bicicleta como matriz desencadeadora desse processo. A experiência comunitária da Bicicletada em Brasília revela a constituição desses grupos que, mesmo sem compromisso, assumem o espaço público como seu de direito, fazendo dos encontros momentos de troca de saberes a partir das vivências compartilhadas. Assim, dá-se o caráter extensionista desse coletivo gerando e agregando conhecimentos a partir de uma práxis (reflexão, ação) na dialógica entre teoria e prática. Mais que a apropriação espontânea do espaço público esse coletivo contribui com as cidades a partir do uso cotidiano da bicicleta, símbolo de uma transformação possível.

Palavras-chave: cidade, bicicleta, movimento comunitário, transformação social

 

Abstract: The bicycle use in Brazilian cities isn’t new. Their use for transportation proposes have raised big importance towards growing of car use and his badly externalities’ like visual, air and sound pollution, traffic accidents and degradation of public spaces in the city. With this context, bicycle appears as a form to transform the city and the society. Bicycle benefits for mental and physics health, for city and environment, more and more, have sensitized people to go out in streets. However, bicycle commute is a challenge. Continued public policies and educational campaigns to incentive mass transit and pedestrians don’t exist. Furthermore, in streets, the use of public space is unequal, being necessary an effort to redistribute and claim public spaces for people. Public places are for people and, as such, should be equal for every people independently of with transportation they use. Happily, in urban design and social practices field, temporary occupations and public spaces resignification are growing. With the common characteristics to reflect real life and the individual and community wishes, self-managing yours appears and disappears. Bicicletada, also known Critical Mass, fits in this context. It happens monthly, with bicycle rides in public spaces where many people, mostly are urban bicyclists, claiming public spaces for all. Guided by anarchists principles, the self-managing, direct action, autonomy and internationalization made possible a fruitful environment for collective learn, with the bicycle being the trigger of this process. Brasília Critical Mass, reveals the constitution of this groups that, even without commitment, assumes public spaces being with their as legal. Making this rides a moment to exchange knowledge through sharing experiences. So, takes place the outreach of Critical Mass, creating and aggregating knowledge from praxis (action, reflection) in dialogue between theory and practice. Apart of the appropriation of public spaces, Bicicletada contribute to the city by the daily use of bicycle, a symbol of a possible transformation.

Key words: city, bicycle, community action, social improvements